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Exportações de café solúvel sobem 20% em julho e consumo interno cresce 14%

Foto do escritor: Alessandra de Paula
Alessandra de Paula
23 de ago.
2 min de leitura


O café solúvel brasileiro registrou forte desempenho em julho de 2026. As vendas externas alcançaram 8.161 toneladas — o equivalente a 353.761 sacas de 60 kg de café verde —, volume 20% maior que o registrado no mesmo mês de 2025, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).


No mercado interno, o consumo também apresentou expansão significativa. No acumulado de janeiro a julho, o Brasil exportou 57,4 mil toneladas (2,488 milhões de sacas), crescimento de 10,9% em relação às 51,7 mil toneladas do mesmo período do ano anterior. A receita cambial no período somou US$ 663,5 milhões, com leve retração de 2,5%, explicada pelos preços internacionais mais baixos em comparação com as cotações elevadas de 2025.


Segundo o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, o setor atravessa um momento de virada. Em 1º de maio entrou em vigor o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia. Já na segunda quinzena de julho, os Estados Unidos incluíram o café solúvel na lista de isenções da nova tarifa aplicada a produtos brasileiros, encerrando quase um ano de sobretaxa exclusiva sobre esse item da cadeia cafeeira.


“Essas conquistas ainda são recentes e não explicam sozinhas os volumes de julho. O efeito completo deve aparecer a partir do segundo semestre. Mesmo assim, já observamos reação: os embarques para a União Europeia cresceram 51,4% entre maio e julho, somando 5,2 mil toneladas, enquanto as remessas aos EUA avançaram 9,5% em julho”, destaca Lima.


Os Estados Unidos continuam como principal destino, com 8,4 mil toneladas adquiridas de janeiro a julho (queda de 12% na comparação anual, influenciada pela sobretaxa vigente durante quase todo o período). Em seguida aparecem Argentina e Rússia, ambas com 4,6 mil toneladas. Chama atenção o crescimento das compras por países que também produzem café solúvel, como Colômbia (+145,7%), Indonésia (+49,6%), México (+33,2%) e Vietnã (+67,2%), reforçando a competitividade da indústria brasileira. No mercado doméstico, o consumo de café solúvel chegou a 17,3 mil toneladas (751 mil sacas) nos sete primeiros meses de 2026, alta de 14,4%.


A consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, atribui o avanço à maior variedade de produtos disponíveis — orgânicos, descafeinados, premium — e ao uso crescente do solúvel como ingrediente em bebidas prontas e produtos proteicos.

“A percepção de qualidade melhorou, o preconceito diminuiu e a praticidade continua atraindo o consumidor”, afirma. Com as tarifas americanas removidas e o acordo com a União Europeia em vigor, a Abics projeta um segundo semestre ainda mais positivo para o café solúvel brasileiro.

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