China impõe tarifas de 55% para carne brasileira e prejuízos podem chegar a 3 bilhões de dólares
- Alessandra de Paula

- 2 de jan.
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A China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, anunciou a implementação de cotas anuais de importação a partir de 1º de janeiro de 2026, com uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem os limites estabelecidos.
Para o Brasil, maior fornecedor mundial, a cota inicial foi fixada em 1,106 milhão de toneladas – valor inferior ao registrado em 2025, quando as vendas ao gigante asiático já superaram 1,5 milhão de toneladas até novembro, representando quase metade do faturamento total do setor.
Essa restrição, válida por três anos, visa proteger a pecuária local chinesa, mas traz sérios riscos à cadeia produtiva brasileira. Especialistas do setor estimam perdas de até US$ 3 bilhões em receitas apenas em 2026, o que pode desestimular investimentos na ampliação do rebanho e na modernização de frigoríficos.
A medida ameaça milhares de empregos diretos e indiretos no campo e nas indústrias, especialmente em regiões como Mato Grosso, Goiás e São Paulo, polos da pecuária nacional. Com menor demanda externa, há o risco de queda nos preços pagos ao produtor rural, comprometendo a rentabilidade e forçando ajustes drásticos na produção.
O agronegócio, responsável por cerca de um quarto do PIB brasileiro e por superávits comerciais recorrentes, sente o impacto: menos divisas entram no país, afetando a balança comercial e a estabilidade econômica. Além disso, a competitividade brasileira no mercado global pode ser abalada, abrindo espaço para concorrentes como Austrália e Argentina.
Entidades como Abrafrigo alertam para um cenário de retração na cadeia inteira, com reflexos em transporte, insumos e serviços ligados ao agro. Embora o governo brasileiro busque negociações para ampliar cotas ou mitigar danos, a incerteza já preocupa o setor. Produtores rurais temem um ciclo de desvalorização do boi gordo e maior endividamento.





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