Tecnologia diferencia cafés por região e detecta adulterações com rapidez e baixo custo
- Alessandra de Paula

- 17 de fev.
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Pesquisas da Embrapa Rondônia (RO) indicam que a espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) permite identificar a origem geográfica do café e detectar adulterações de forma rápida e acessível. A técnica, já empregada em outras cadeias agroindustriais, está em fase de validação para o setor cafeeiro e tem potencial para fortalecer as indicações geográficas e certificações de qualidade do produto brasileiro.
A NIR mede como a luz interage com os compostos químicos. O processo gera um sinal químico chamado de “espectro”, que funciona como uma “impressão digital”. Com base em bancos de dados e algoritmos treinados, o sistema identifica a origem do grão e verifica se há adulterações, em poucos segundos, e sem destruir a amostra.
“É uma tecnologia que permite identificar o terroir do café, chegando ao nível da área produtiva”, explica o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia.
A pesquisa foi desenvolvida ao longo de cinco anos como parte do doutorado de Michel Baqueta na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com a equipe da Embrapa Rondônia. O estudo combinou espectroscopia NIR e análise quimiométrica (aplicação de métodos matemáticos e estatísticos para extrair informações úteis de dados químicos complexos) para criar padrões espectrais capazes de diferenciar origens, detectar adulterações e reconhecer terroirs específicos. Por exemplo, os resultados separam os cafés robustas amazônicos (inclusive as variedades indígenas) de conilons do Espírito Santo e da Bahia, variedades de café canéfora (Coffea canephora) em diferentes solos cultivados.
A mesma técnica pode ser aplicada em outras cadeias agroalimentares — cacau, soja, leite, frutas e vinhos — com ganhos de rastreabilidade e controle de qualidade. A NIR abre caminho para um novo padrão de confiança na origem e pureza dos produtos agropecuários brasileiros. Nos testes, foi possível identificar adulterações no café com materiais como milho, soja, casca e borra, além de sementes de açaí, apontada por Baqueta como “um tipo emergente de fraude”.
Fonte: Embrapa





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