Dia Mundial do Queijo: Tradição e sabor que atravessam o tempo
- Alessandra de Paula

- 20 de jan.
- 2 min de leitura

No dia 20 de janeiro, celebramos o Dia Mundial do Queijo — uma data que, embora tenha origem no National Cheese Lovers Day dos Estados Unidos, ganhou força global e é amplamente abraçada no Brasil como ocasião para valorizar esse alimento milenar, especialmente os queijos artesanais que tanto orgulham nossa gastronomia.
O queijo não é apenas um ingrediente na mesa: é herança cultural, expressão de territórios e fruto de saberes transmitidos por gerações. Sua história começa há cerca de 8 mil anos, no período Neolítico, quando povos da Ásia Central e do Oriente Médio descobriram, provavelmente por acidente, que o leite armazenado em estômagos de animais coagulava graças à enzima quimosina. Do Egito antigo (com registros de 3.200 a.C.) aos romanos — que aperfeiçoaram técnicas de prensagem, salga e envelhecimento —, o queijo se espalhou pela Europa.
Na Idade Média, mosteiros franceses, italianos e ingleses refinaram produções, dando origem a clássicos como Roquefort, Parmesão e Cheddar. Com a Revolução Industrial do século XIX, veio a produção em escala, mas os artesanais mantiveram viva a diversidade de sabores, influenciados por microrganismos locais e tradições.
No Brasil, o queijo chegou com os colonizadores portugueses. Sem gado leiteiro entre os povos indígenas, a produção começou no período colonial, com destaque para o queijo de coalho e o queijo de manteiga no Nordeste a partir do século XVI.
No século XVII, durante o Ciclo do Ouro, o Queijo do Reino (de longa maturação) ganhou força em Minas Gerais, Goiás e Bahia. Já o Queijo Minas se consolidou no século XVIII nas regiões serranas, adaptando técnicas lusitanas ao nosso clima e ao leite local.
Atualmente, o país produz mais de 70 variedades, com cerca de um terço do leite nacional destinado a queijos. Os artesanais brasileiros são verdadeiros patrimônios: vários queijos mineiros são reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN desde 2008, e o Selo ARTE (criado em 2019) permite a venda interestadual de queijos de leite cru com maturação mínima de 60 dias, garantindo segurança e valorizando o pequeno produtor.
Alguns queijos que são verdadeiros ícones:
Queijo Canastra (Serra da Canastra, MG): Feito com leite cru, textura semi-dura a cremosa, sabor intenso, ácido e picante — evolui com a maturação graças às bactérias nativas da região.
Queijo do Serro (MG): Mais úmido e suave, com maturação mais curta; foi o primeiro a conquistar Indicação Geográfica no Brasil, em 2011, resgatando influências da Serra da Estrela portuguesa.
Queijo Serrano (Campos de Cima da Serra, RS/SC): Robusto e granuloso, ligado à cultura tropeira do século XVIII, produzido em altitude elevada com leite de vacas de corte.
Queijo Marajó (Pará): Elaborado com leite de búfala, nas versões “Creme” e “Manteiga”; macio, suave e com Indicação Geográfica desde 2021.
Queijo Coalho Artesanal (Nordeste): Fresco, elástico e resistente ao calor — perfeito para assar na brasa ou na chapa, com aquele “range” característico.
Esses queijos vão além do sabor: sustentam famílias rurais, preservam a biodiversidade, impulsionam economias locais e contam a história do Brasil em cada fatia. Em um mundo cada vez mais industrializado, eles representam a resistência da tradição e a riqueza da diversidade.





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