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Executivos de Aurora, MBRF e Seara veem China como alerta, não como ameaça imediata ao frango brasileiro

Foto do escritor: Alessandra de Paula
Alessandra de Paula
6 de ago.
2 min de leitura


Executivos das três maiores indústrias de carne de frango do Brasil minimizam o risco imediato da China como concorrente nas exportações, mas enxergam o movimento como incentivo para o País acelerar a diversificação de mercados.


A ascensão da China como exportadora de carne de frango não representa ameaça iminente à indústria brasileira. No entanto, precisa ser vista como estímulo para o Brasil ser ainda mais ativo na abertura e consolidação de novos destinos. Essa é a avaliação de Neivor Canton, presidente da Aurora; Miguel Gularte, CEO da MBRF; e João Campos, CEO da Seara.A análise foi apresentada durante painel realizado na quarta-feira (5) no Siavs (Salão Internacional de Proteína Animal), em São Paulo, evento promovido pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).


“Não se pode duvidar do chinês. Eles já demonstraram que são capazes de coisas impressionantes”, afirmou Canton. Segundo o presidente da cooperativa catarinense, o Brasil não pode depender de poucos mercados e já vem cumprindo essa lição ao longo dos últimos anos. “A China já foi mais importante. A demanda diminuiu sensivelmente e acreditamos que, de fato, vai gradativamente demandar menos”, completou.


No ano passado, a China respondeu por apenas 4,8% do volume de carne de frango exportado pelo Brasil, segundo dados da ABPA. Em 2020, no auge da demanda impulsionada pela peste suína africana, a participação chinesa chegou a 16,3%.


Canton lembrou que a redução da importância de um mercado não é inédita. A Rússia, por exemplo, já chegou a representar 60% das exportações brasileiras de carne suína e hoje nem figura entre os vinte principais compradores.


João Campos, da Seara, destacou o diferencial competitivo do Brasil: sistema sanitário respeitado internacionalmente e capacidade de responder rapidamente à demanda. “Frente a uma China ou outros, precisamos alavancar nossa escala com eficiência, e o Brasil fez isso muito bem nos momentos em que fomos desafiados”, afirmou o CEO da Seara.


Miguel Gularte, da MBRF, classificou a China como “a grande notícia da última década” para a demanda de proteína animal e reforçou a importância da presença contínua junto ao consumidor. “Não adianta entrar e sair do mercado. Tem de estar presente com responsabilidade, desenvolver o hábito com o consumidor”, disse. Não por acaso, a dona da Sadia entrou no mercado chinês em 2024 com a aquisição de uma fábrica.


A presença das indústrias brasileiras no exterior, especialmente no Oriente Médio, é vista como estratégica. No início deste ano, a JBS firmou parceria com a ENTAJ (Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment) para produzir frango em Jeddah, na Arábia Saudita. A MBRF também realizou investimentos no país e mantém sociedade com o fundo soberano saudita na Sadia Halal.


Segundo Campos, a operação local permite que as empresas se orientem pelas demandas reais do consumidor. Ao mesmo tempo, a globalização cria padrões comuns em diferentes regiões.


“Uma dona de casa na Arábia Saudita, na Europa ou nos Estados Unidos quer a mesma praticidade”, resumiu Gularte. Para os executivos, o momento exige atenção, mas não alarme: o Brasil segue competitivo e deve usar o cenário como motivação para continuar ampliando sua presença global.

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